CEO Clínica, Centro de Excelência em Oftalmologia

CENTRAL DE ATENDIMENTO
37 3237-460037 99936-6829

Doenças

Olho seco


O olho seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade e/ou má qualidade da lágrima. Este distúrbio no filme lacrimal e na superfície ocular pode produzir áreas secas sobre a conjuntiva e córnea, o que facilita o aparecimento de lesões. Os sintomas são de ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, dificuldade para ficar em lugares com ar condicionado ou em frente do computador e olhos embaçados ao final do dia.

A doença está relacionada à exposição a determinadas condições do meio ambiente (poluição, computador), trauma (queimaduras químicas), alguns medicamentos, idade avançada, uso de lentes de contato, menopausa nas mulheres e doenças do sistema imunológico (síndrome de Sjögren, Stevens-Johnson e outras). Quando não diagnosticada e corretamente tratada, pode evoluir para lesão da superfície ocular e, em alguns casos, até à perda da visão.

A Síndrome do Olho Seco poder ser dividida em 2 grupos principais, de acordo com a fisiopatologia:

1) Deficiência aquosa do filme lacrimal (DAFL);

2) Evaporação excessiva, predominantemente associada à disfunção das glândulas de Meibomius ou deficiência de mucina.

O filme lacrimal é composto de 3 camadas. A camada mais externa, ou lipídica, protege e previne a evaporação da lágrima. A camada do meio é chamada de aquosa e é responsável pela nutrição e oxigenação da córnea. Além disso, contém várias substâncias com atividade antibacteriana. A 3º camada é composta por mucina e faz a interação entre a camada aquosa e as células superficiais da córnea/conjuntiva, facilitando sua aderência e permanência na superície ocular. As lágrimas são produzidas constantemente para lubrificar os olhos. Esta produção pode ser ainda aumentada após resposta reflexa a alguns estímulos exteriores, como poluição, alérgenos, trauma e emoção.


Causas de Olho Seco

1 - O ambiente: Clima seco, com vento e ensolarado, fumaça de cigarro, a poluição, lugares fechados, calefação, ar condicionado e monitores de computador podem aumentar a evaporação e causar olho seco

2 - Queimaduras químicas: A exposição a agentes químicos ocorre, na maioria das vezes, em acidentes industriais, acidentes domésticos ou em associação com atos criminosos e está associada ao desenvolvimento de olho seco As queimaduras por álcali ocorrem mais frequentemente, geralmente numa proporção de 2:1, devido à presença destas substâncias em produtos de limpeza e materiais de construção em geral. Este tipo de queimadura também está associado aos casos mais graves de olho seco e destruição da superfície ocular.

3 - Medicamentos: Descongestionantes e anti-histamínicos, tranquilizantes, antidepressivos e pílulas para dormir, diuréticos, pílulas anticoncepcionais, alguns anestésicos, medicamentos para tratamento da hipertensão arterial (betabloqueadores) e para transtornos digestivos (anticolinérgico) podem causar olho seco.

4 - Lente de Contato: as lentes de contato diminuem a quantidade de oxigênio sobre a córnea, podendo causar irritação e sensação de olho seco.

5 - Idade e sexo: como regra geral, com a idade, a produção de lágrimas diminui. Aos 65 anos, por exemplo, uma pessoa produz 60% menos lágrimas que aos 18 anos. As mulheres frequentemente têm esse problema agravado quando estão na menopausa por causa das mudanças hormonais. Estima-se que a incidência do olho seco na população de mais de 65 anos gire ao redor de 15% a 40% da população.

6 - Doenças Sistêmicas associadas:

6.1. Síndrome de Sjögren
A Síndrome de Sjögren (SS ) é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico do próprio corpo do paciente erroneamente ataca as glândulas produtoras de lágrimas e saliva. Pode ser primária ou secundária, quando está associada a outras doenças reumatológicas como Artrite reumatóide, Lupus, Esclerodermia e outras. Os Linfócitos, tipo de células brancas do sangue, infiltram-se por estas glândulas provocando diminuição da produção de saliva e lágrimas. Assim, as características principais da Síndrome de Sjögren são secura nos olhos e na boca .

A Síndrome de Sjögren pode também causar secura de pele, nariz e vagina e pode afetar outros órgãos do corpo, inclusive os rins, vasos sanguíneos, pulmões, fígado, pâncreas e cérebro. Fadiga e dor nas articulações que podem comprometer de forma significativa a qualidade de vida do paciente.

Nove entre dez pessoas com Sjögren são mulheres. Embora a maioria das mulheres diagnosticadas, costumam estar na menopausa ou serem maiores de 65 anos, Sjögren pode ocorrer também em crianças, adolescentes e adultos jovens. Mulheres jovens com Sjögren podem apresentar complicações na gravidez. As causas específicas da Síndrome de Sjögren não são conhecidas, mas múltiplos fatores provavelmente estão envolvidos, dentre os quais os genéticos, viróticos, hormonais ou suas interações.

6.2. Stevens-Johnson
A síndrome de Stevens-Johnson é definida como uma enfermidade muco-cutânea severa, com envolvimento de pelo menos dois sítios mucosos e podendo cursar com aparecimento de bolhas e necrose cutânea. Já na epidermólise cutânea, praticamente todos os pacientes têm envolvimento de mucosas, especialmente a oral e conjuntival.

A incidência do eritema multiforme em suas diferentes formas clínicas varia de população para população. Na maioria dos casos (cerca de 60%), o eritema multiforme é causado pela aplicação oral, intravenosa ou tópica de diversos medicamentos. Geralmente o quadro clínico se inicia dentro de três semanas do início da terapia medicamentosa. As sulfas são os agentes mais frequentes, apesar de que qualquer medicamento tem o potencial de causar o eritema multiforme, como p. ex., a fenitoína, barbituratos, fenilbutazona, penicilina e salicilatos, bem como a aplicação tópica de colírios oftalmológicos como a tropicamida. O eritema multiforme pode também seguir-se a certas infecções, como as causadas pelo herpes simples, Mycoplasma penumoniae e vírus do sarampo e da varicela. As infecções pelo herpes simples são a causa mais comum de eritema multiforme recorrente.

Segundo um estudo retrospectivo realizado nos Estados Unidos, todos os pacientes com síndrome de Stevens-Johnson ou epidermólise tóxica tinham envolvimento ocular agudo, variando desde conjuntivite leve até úlceras de córnea severas, podendo cursar com perfuração ocular e endoftalmite. Complicações crônicas incluindo cicatrização conjuntival, simbléfaro, entrópio e olho seco, podem levar a dano corneano posterior, sendo a principal complicação significante à longo prazo dos pacientes com síndrome de Stevens-Johnson e epidermólise tóxica. Em outro estudo foi relatado que até 35% dos pacientes tiveram alterações visuais permanentes em consequência de complicações da síndrome de Stevens-Johnson e epidermólise tóxica.

6.3. Penfigóide cicatricial ocular
O penfigóide cicatricial é definido como uma doença crônica, cicatrizante e autoimune de membranas mucosas e da pele (. Ocorre mais frequentemente no sexo feminino (2-3:1), em torno dos 65 anos de idade e sem predieção por raça. É uma doença de baixa incidência, variando de 1 em cada 12.000 a 1 em cada 60,000 pacientes oftalmológicos. O penfigóide cicatricial ocular é claramente uma doença autoimune com uma predisposição genética.

6.4. Sarcoidose

6.5 Parkinson


Sintomas

O quadro clínico varia dos casos mais brandos, com queixa básica de desconforto, ardor, sensação de areia, aos mais graves, por vezes com sérias complicações, como úlcera e perfuração corneana.

Os sintomas incluem sensação de corpo estranho, queimação, fotofobia e embaçamento e costumam piorar no final do dia, nas condições de baixa umidade (ex: ambientes com ar condicionado ou aquecedores) e após uso excessivo da visão para perto (ex: computação).


Tratamento

O tratamento é basicamente sintomático. Mais recentemente, novas modalidades de tratamento com objetivo de atingir a causa do olho seco têm sido introduzidas. São 5 estágios de tratamento para o olho seco:

1 - Substituição da lágrima: lágrimas artificiais. Existem as lágrimas artificiais aquosas e as viscosas para quadros mais severos. Atualmente, algumas lágrimas artificiais não possuem ou neutralizam os conservantes. Este tipo pode ser utilizado mais frequentemente do que o habitual.

2 - Conservação da lágrima: a oclusão dos pontos lacrimais pode ser feita com plugs, provisórios de colágeno ou permanentes de silicone, que permanecem dentro dos ductos lacrimais. Os plugs podem ser introduzidos no olho manualmente pelo médico no consultório, sem que o paciente sinta dores. Outra opção é a cauterização dos pontos lacrimais ou oclusão cirúrgica.

3 - Estimulação da produção de lágrimas: existem certos medicamentos que aumentam o lacrimejamento como a pilocarpina, porém, possuem uma série de efeitos colaterais.

4 - Terapia anti inflamatória: esse tipo de tratamento pode ser baseado no uso adequado e controlado de corticóide tópico e da ciclosporina tópica. A ideia é minimizar o efeito do processo imune nas glândulas lacrimais e superfície ocular. Alguns estudos estão sendo realizados para avaliar a importância da chamada "dieta no tratamento do olho seco". Essa dieta deve ser rica em Ômega 3 (óleo de linhaça, verduras, nozes e peixes), que possuem propriedades anti inflamatórias.

5 - Terapia hormonal: utilização de hormônios andrógenos orais ou tópicos, ainda em estudo.

MAIS INFORMAÇÕES?